Thursday, December 29, 2005
(És) Parte de mim
Onde estiveres, eu estou
Onde tu fores, eu vou
Se tu quiseres
Assim,
Meu corpo é o teu mundo,
Um beijo um segundo,
És parte de mim.
Para onde olhares
Eu corro,
Se me faltares
Eu morro
Quando vieres,
Distante
Solto as amarras,
E tocam guitarras por ti como dantes.
Agarra-me esta noite,
Sente tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui.
Pedro Abrunhosa, Parte de Mim
Wednesday, December 28, 2005
Decote
Eu quero marcar um Z dentro do teu decote
Ser o teu Zorro de espada e capote
P'ra te salvar à beirinha do fim
Depois, num volteface vestir os calções
Acreditar de novo nos papões
E adormecer contigo ao pé de mim
Eu quero ser para ti a camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés
Marcar um ponto na tua atenção
Se assim faltar a festa na tua bancada
Eu faço a minha ultima jogada
E marco um golo com a minha mão
Eu quero passar contigo de braço dado
E a rua toda de olho arregalado
A perguntar como é que conseguiu
Eu puxo da humildade da minha pessoa
Digo da forma que menos magoa
«Foi fácil. Ela é que pediu!»
Luis Represas, O Zorro
Lost...
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
«Não partas nunca mais»
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu...
Pedro Abrunhosa, Eu não sei quem te perdeu
Monday, December 26, 2005
A noite passada
é algo inconscientemente intencional. Inclino-me mais para esta segunda hipótese. Às vezes chego mesmo a pensar que tudo seria mais fácil se pensássemos em forma de música ou se a nossa vida fosse musicada como de qualquer filme se tratasse. Teriamos assim, música incidental, intensa, romântica, violenta, banal, fútil de acordo com o momento. Se a escolha da música para os momentos bons da vida não ofereceria duvidas para a maior parte de nós, presumo, porém, que haveria pouca gente interessada em escolher a música do genérico final do tal "filme". Eu, pelo contrário, já escolhi. Se o "filme" não for grande coisa, pelo menos que acabe em grande...
Não é também intencional, mas este blog está a ser invadido por música. Será desinspiração? Será a forma de cultura mais próxima, mais emotiva, mais fácil? Talvez seja isto tudo. Parafraseando uma frase famosa:
"Vale mais uma boa música que mil palavras..."
A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "Sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "Então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste...
A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos...
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "Olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "Ainda bem que voltaste!"
Saturday, December 24, 2005
Thursday, December 22, 2005
A minor incident
There's nothing I could say
To make you try to feel okay
And nothing you could do
To stop me feeling the way I do
And if the chance should happen
That I never see you again
Just remember that I'll always love you
I'd be a better person
On the other side I'm sure
You'd find a way to help yourself
And find another door
To shrug off a minor incident
And make us both feel proud
I just wish I could be there to see you through
You always were the one
To make us stand out in the crowd
Though every once upon a while
Your head was in a cloud
There's nothing you could never do
To ever let me down
And remember that I'll always love you
Música Paraíso
Irrita-me a mania que algumas pessoas tem de dizer que a cultura não é acessivel ao bolso de qualquer um, que a cultura é cara, que os CD's são caros, que os livros caros, os bilhetes de cinema são caros (reparem naqueles que gastam o equivalente a um bilhete de cinema num balofo balde de pipocas)... A cultura está por toda a parte. Basta estar sensivel a ela e permanecermos disponíveis e deixar que nos invada, que nos consuma, que nos arrebata. É claro que há cultura que deve e tem de ser paga. Nesse caso lembrem-se do dinheiro tantas vezes gasto futilmente (situação em que humildemente me incluo) e dêem à cultura uma segunda oportunidade. Ela merece.
Este texto foi retirado de uma publicação gratuita surrupiada de uma stressada grande superficie e não só é de uma beleza quase poética, como mostra como poderia ser a promoção de um espectáculo. De certo seria bem mais eficaz. Porque é impossivel ficar indiferente a esta elegancia com que é descrita a música de Nicole Conte. É lindo!
Podemos perseguir uma nota, seguir-lhe a dança do rítmo enquanto se abandona ao ziguezague no infinito como uma Vespa sobre o asfalto. Podemos segui-la agarrados contra o vento, buscar o próprio sopro que a solta e bebê-la numa esplanada em Roma entre o gelo de um Martini e o calro de um sorriso. E entre um cigarro e outro, se soubermos sentir o preto e o branco do filme dos nossos dias, podemos respirar o swing de uma banda de jazz entregue a si mesma no palco dos sonhos de uma época perdida. Esta é a arte dos melhores músicos que hoje arriscam colocar a música no centro de um mundo que alheio aos meios apenas vê os fins. Outras direcções para a música. Esta é a arte de Nicola Conte, maestro supremo da nova bossa, do jazz no terreno das emoções. Inspirado no cinema, viaja entre plamos de uma época onde o jazz se dançava, e a música se ouvia para resgatar a poesia das notas e o equilibrio dos corpos, como se não houvesse hoje. Apenas um profundo desejo de beleza que em cada compasso leva mais longe essa fuga que só a música e o cinema permitem.
Engana-nos a sua verdadeira devoção à arte do jazz, faz-nos acreditar que é livre e navega num mundo novo, mas sob a lua cheia duma música assim bela veêm-se as marcas de amor tão velha como a de um romance de areia à beira do mediterrâneo.
Nicola Conte seduz sem querer e parte sem aviso, mas a sua música respira a eternidade dos mestres que o inspiram na grande noite do jazz. Miles, Blakey, Morricone, Jobim, Godard passeiam e fumam num filme dirigido pelos nosso próprios sentidos em busca de novas direcções. Não é música de dança, mas vem de um dj, não é música clássica, mas tem a classe da grande escrita de um verdadeiro aluno de Conservatório. É jazz romântico, vem do passado para fazer amor com o presente. E vem ao encontro de si.
Tuesday, December 20, 2005
O (verdadeiro) amor segundo Charles Aznavour...
She
May be the face I can't forget.
A trace of pleasure or regret
May be my treasure
or the price I have to pay.
She
May be the song that summer sings.
May be the chill that autumn brings.
May be a hundred different things
Within the measure of a day.
She
May be the beauty or the beast.
May be the famine or the feast.May turn each day into a heaven or a hell.
She
May be the mirror of my dreams.
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell
She
who always seems so happy in a crowd.
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry.
She
may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past.
That I remember till the day I die
She
May be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough
and rainy years
Me
I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She...
Monday, December 19, 2005
Take me back to the start
Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
Tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles, coming up tails
Heads on a science apart

Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said that it would be this hard
Oh take me back to the start
I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Do not speak as loud as my heart
Tell me you love me, come back and haunt me
Oh and I rush to the start
Running in circles, chasing our tails
Coming back as we are
Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start
The true love is priceless
there is not a river wide
not a mountain high
and neither sin nor evil
could change how i feel inside
not all the strength of the ocean
not all the heat from the sun
though others i've tried, i just can't deny
for me you are the one
true love is priceless
and for true love we pay a price
but there's nothing can keep me from loving you
not fire, not ice...
like a hero or the champion
you are the best, you're the best
like religion or superstition
with you i am blessed
now the river may grow wider
the mountains may reach past the sky
and whether or not you feel the same
my love shall never die
but true love is give and take
true love is sacrifice
but there's nothing can keep me from loving you
not fire, not ice...
Tuesday, December 13, 2005
Tuesday, December 06, 2005
Sunday, December 04, 2005
A doença do bem
Tentei
esconder
a minha raiva
de mim,
por ti
Não sei por quem o fiz
Avançou meus braços
Como a cura para o bem
E eu não quis deixar...
Em ti
Pensei
ouvir a minha voz
Meu ar,
tão só
Tentando ser feliz
Diz quais os teus planos
Quem vais tu matar no fim
Quando eu acordar
Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz?
Será que o bem nos faz sofrer
Por nunca o vermos existir em nós?
E é tão bom sentir de novo o teu calor
É tão maior que o mais profundo amor
E é isso que me assusta
Ver-te assim denunciar
Quem eu não quis ser
E a mesma luz que nos guiou
Que nos trouxe aqui
Devolve-nos ao escuro
Antes do meu corpo arder
Sem promessas de um futuro
Só eu e os meus planos
Sem nenhum sinal de ti
Para me salvar
Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz?
Será que o bem nos faz sofrer
Por nunca o vermos existir em nós?
O que vai valer
Porquê esconder a minha raiva
O que vai valer
Isso é fugir da minha sombra
Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz
Será que o bem existe em nós?
Manuel Cruz, Lustro, Clã, 2000












