Monday, February 20, 2006

Muito, meu amor

A Internet não serve só para comunicar, sexo, downloads, intriga, cultura, informação (Esqueci-me de alguma coisa?)

Como o costume, encontrei estas passagens deste livro quando procurava outra coisa qualquer... Acontece-me frequentemente. E ainda bem. Ou só iria ao encontro daquilo que estava à procura. Que chatice!

O autor já conhecia. A vantagem de ser o irmão mais novo. Habituamo-nos a ouvir falar de coisas para as quais ainda não temos nem maturidade, nem inteligencia nem pachorra para isso. Pode ficar apenas o nome do livro, o nome do autor, o nome da música. Pode ficar pouca coisa mas fica lá. E é sempre mais fácil dar uma segunda chance a quem já se conhece...
A preguiça e o comodismo de conhecer alguma coisa nova convenceram-me a não comprar nenhum livro dele. A nossa consciencia (bem... não sei se esta palavra é a mais certa...) imediatamente arranja uma série de desculpas. Será deprimente? Será triste? Ficarei infeliz depois de ler este livro? (quanto ao preço, isso nunca é nem será desculpa. um livro custa tanto como o que gastam algumas pessoas em tabaco num dia. É preciso dizer mais?) E de facto acabam por ser bons argumentos. Afinal, para quê pagar para ficar triste ou infeliz quando posso ficar triste ou infeliz de borla? Parece-me a mesma coisa, mas não é. Pelo contrário. Se é inevitável que vou ter momentos tristes e felizes, porque não fazer qualquer coisa útil nesses momentos? Não vou ser nem mais feliz nem menos por isso.

Tenho de comprar este livro! Tenho de ler este livro!... E portanto, o mais certo, é este nome aparecer mais vezes por aqui...

“É tão estranho conhecer uma pessoa. Tão difícil que parece impossível. Não existir e passar a existir: uma pessoa inteira, um mundo inteiro. Onde caberá um mundo inteiro neste mundo pequenino? Como é que se consegue? Como é que se faz?”

“Mas gostava que soubesses que já gosto muito de ti, embora ainda não tenha tido tempo de saber o que é isso de gostar muito de ti. Não faz mal, logo se vê. Não, o que me assusta mesmo muito, quase terror por vezes, é depois não poder voltar atrás, tão simplesmente como quem põe uma fita de cinema a rebobinar. Quero dizer, depois de começar a gostar de ti como gosto, já não consigo desfazer isso que se fez, sei lá o quê, o que tu quiseres, isso tudo, o que nos traz juntos até aqui, se tu quiseres.”

“É tão bom sentir o que sinto. Que alguém, e és tu, me quer com o maior cuidado para não se enganar, iludir, mentir a si próprio que não me está a confundir, sem querer, com o que desejava ver, sempre esperou alcançar, sonhou quando era criança num sonho que ficou, quer mostrar aos outros, ao pai em especial, a quem quer que seja, pouco importa. Não, do que tu gostas mais em mim é dos meus pecados, dos meus defeitos físicos, de tudo o que não consigo ser, onde falhei, onde não pára nunca de doer, é isso o que tu queres ver, o que queres ter perto de ti, queres aceitar e cuidar, só isso, e o resto, só se vier com isso, porque é isso que tu amas em mim. Será isso? Será assim? Será possível pela primeira vez? Pode ser, talvez seja disso feito o nosso amor. Pelo menos grande parte, meu querido.”

in Muito, Meu Amor, Pedro Paixão

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Houve uma altura em que devorei Pedro Paixão(e acabei por me fartar...o que vai na continuação do que se diz Miguel Esteves Cardoso) e o mais engraçado é que me lembro perfeitamente desta passagem.Acho até que foi parar ao meu diário.EhEh.

10:42 pm  

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