Sunday, December 04, 2005

A doença do bem

Tentei
esconder
a minha raiva
de mim,
por ti
Não sei por quem o fiz
Avançou meus braços
Como a cura para o bem
E eu não quis deixar...

Em ti
Pensei
ouvir a minha voz
Meu ar,
tão só
Tentando ser feliz
Diz quais os teus planos
Quem vais tu matar no fim
Quando eu acordar

Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz?
Será que o bem nos faz sofrer
Por nunca o vermos existir em nós?

E é tão bom sentir de novo o teu calor
É tão maior que o mais profundo amor
E é isso que me assusta
Ver-te assim denunciar
Quem eu não quis ser

E a mesma luz que nos guiou
Que nos trouxe aqui
Devolve-nos ao escuro
Antes do meu corpo arder
Sem promessas de um futuro
Só eu e os meus planos
Sem nenhum sinal de ti
Para me salvar

Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz?
Será que o bem nos faz sofrer
Por nunca o vermos existir em nós?

O que vai valer
Porquê esconder a minha raiva
O que vai valer
Isso é fugir da minha sombra

Depois de ver o que acabou
De que vai valer a minha voz
Será que o bem existe em nós?


Manuel Cruz, Lustro, Clã, 2000

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