Tuesday, January 24, 2006

Incenso

Vieste como quem chega
Nos braços da madrugada
Trazias feno nos versos
Que me disseste calada

Trazias lendas e luas
Trazias sóis por nascer
Uma folha de aloendro
No teu corpo de mulher

Rio secreto e profundo
Correndo dentro do espanto
Trazias contigo o manto
Com que vestias o meu mundo

Foste corpo imaculado
Dos quatro cantos do cio
Fogueira acesa no frio
Do meu amor desamado

E foi tão bom possuir-te
Deitada no pensamento
Como se fosses incenso
Lançado ao sabor do vento

Oh Meu amor nunca venhas
Tão minha sem avisar
Quero esperar-te num leito
Feito de linho e luar

Quero que sejas o nardo
Boca fechada num grito
Que nos transporta a manhã
Nas léguas do infinito

Quero que sejas perfume
Fêmea raíz e vulcão
Asa saudade ciúme
Na palma da minha mão

Eduardo Olímpio

1 Comments:

Blogger MEU DOCE AMOR said...

Que posso dizer ,quando vês a mulher dessa forma?

7:59 pm  

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