Incenso
Vieste como quem chega
Nos braços da madrugada
Trazias feno nos versos
Que me disseste calada
Trazias lendas e luas
Trazias sóis por nascer
Uma folha de aloendro
No teu corpo de mulher
Rio secreto e profundo
Correndo dentro do espanto
Trazias contigo o manto
Com que vestias o meu mundo
Foste corpo imaculado
Dos quatro cantos do cio
Fogueira acesa no frio
Do meu amor desamado
E foi tão bom possuir-te
Deitada no pensamento
Como se fosses incenso
Lançado ao sabor do vento
Oh Meu amor nunca venhas
Tão minha sem avisar
Quero esperar-te num leito
Feito de linho e luar
Quero que sejas o nardo
Boca fechada num grito
Que nos transporta a manhã
Nas léguas do infinito
Quero que sejas perfume
Fêmea raíz e vulcão
Asa saudade ciúme
Na palma da minha mão
Eduardo Olímpio
1 Comments:
Que posso dizer ,quando vês a mulher dessa forma?
Post a Comment
<< Home