As mãos e os frutos
Uma quarta-feira à noite que mais parece domingo à noite.
Uma quinta-feira que mais parece segunda-feira.
Uma sexta-feira que mais parece terça-feira.
Mas é mesmo sexta-feira!
Felizmente!...
Um poema dedicado à boçalidade que vagueia por terras do visconde
(ou antes) às pessoas boçais,
A pobre boçalidade não tem culpa
Também tem direito a existir
Quem não a quiser
Que a deixe...
Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.
Eugénio de Andrade

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