Tuesday, January 31, 2006

Lifelines...

One time 
to know that it's real
One time
to know how it feels
That's all...
One call
your voice on the phone
One place
a moment alone
That's all...

What do you see?
What do you know?
What sign?
What do I do?
Just follow your lifeline through...
What if you hate?
What then?
What do we do?
What do you say?
Don't throw your lifeline away

One time
just once in my life
One time
to know it can happen
twice
One shot
of a clear blue sky
One look
I see no reasons why you can't
One chance
to get back to the point where everything starts
Once chance
to keep it together
Things fall apart

Once sign
to make us believe it's true

What do you see?
Where do we go?
What sign?
How do we grow?
By letting your lifeline show
What if we do? What up to now?
What do you say?
How do I know?
Don't let your lifeline go...

Lifelines, A-Ha



Sunday, January 29, 2006

A strange kind of feeling

A strange kind of love
A strange kind of feeling
Swims through your eyes
And like the doors
To a wide vast dominion
They open to your prize

This is no terror ground
Or place for the rage
No broken hearts
White wash lies
Just a taste for the truth
Perfect taste choice and meaning
A look into your eyes

Blind to the gemstone alone
A smile from a frown circles round
Should he stay or should he go
Let him shout a rage so strong
A rage that knows no right or wrong
And take a little piece of you

There is no middle ground
Or that's how it seems
For us to walk or to take
Instead we tumble down
Either side left or right
To love or to hate

Strange Kind Of Love, Peter Murphy

Tuesday, January 24, 2006

Doença crónica




















O Amor é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura.


in
Ouvi Dizer, Ornatos Violeta

Incenso

Vieste como quem chega
Nos braços da madrugada
Trazias feno nos versos
Que me disseste calada

Trazias lendas e luas
Trazias sóis por nascer
Uma folha de aloendro
No teu corpo de mulher

Rio secreto e profundo
Correndo dentro do espanto
Trazias contigo o manto
Com que vestias o meu mundo

Foste corpo imaculado
Dos quatro cantos do cio
Fogueira acesa no frio
Do meu amor desamado

E foi tão bom possuir-te
Deitada no pensamento
Como se fosses incenso
Lançado ao sabor do vento

Oh Meu amor nunca venhas
Tão minha sem avisar
Quero esperar-te num leito
Feito de linho e luar

Quero que sejas o nardo
Boca fechada num grito
Que nos transporta a manhã
Nas léguas do infinito

Quero que sejas perfume
Fêmea raíz e vulcão
Asa saudade ciúme
Na palma da minha mão

Eduardo Olímpio

Sunday, January 22, 2006

How deep?

I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
and the moment that you wander far from me
I wanna feel you in my arms again.

And you come to me on a summer breeze
Keep me warm in your love then you softly leave
and it's me you need to show
How deep is your love

How deep is your love, how deep is your love?
I really mean to learn
Cause we're living in a world of fools
Breaking us down when they all should let us be
We belong to you and me.

I believe in you
You know the door to my very soul.
You're the light in my deepest darkest hour
You're my saviour when I fall

And you may not think I care for you
When you know down inside that I really do
and it's me you need to show
How deep is your love?

Bee Gees, How Deep Is Your Love


Only love matters

We have all the time in the world
Time enough for life to unfold
All the precious things love has in store
We have all the love in the world
If that's all we have, you will find
We need nothing more

Every step of the way will find us
With the cares of the world far behind us

We have all the time in the world
Just for love
Nothing more, nothing less
Only love

Louis Armstrong, We Have All The Time In The World

So just... give up?





















And it's not going to stop... 'Till you wise up...

Cavaleiro Andante

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau...

Rui Veloso, Cavaleiro Andante

Tuesday, January 17, 2006

S.O.S.

Prometo não falar de amor
de gostar e sentir
Portanto não vou rimar
com dor ou mentir
Joga-se pelo prazer de jogar e até perder
Invadem-se espaços trocam-se beijos sem escolher
Homens temporariamente sós
Mas que cabeças no ar!...

Não há retratos de solidão interior
Não há qualquer tragédia
Mas um vinho a beber
Partidas
regressos
conquistas
a fazer
Tudo anotado numa memória que quer esquecer

Homens sempre sós preferem perder
Homens sempre sós são bolas de ténis no ar
Muito batidos saltam, acabam por enganar

Homens sempre sós nunca conseguem casar

GNR, Homens Temporariamente Sós

Sunday, January 15, 2006

Gente Banal

Para ti.
A nossa "homenagem" ao nosso local de trabalho. Acho que não podia estar mais adequado.



Faz-me impressão o trabalho
que se tem em se ser superficial

Faz-me impressão e baralho
o vulgar e o intelectual


Sinto depressão conforme
perco tempo essencial

Sofro uma pressão enorme
para gostar do que é normal


Deixo tudo para mais logo
não sou analógico
sou criatura digital

Tendo para mais louco
não sou patológico
sou como o papel vegetal


Faz-me impressão ser seguido
imitado por gente banal

Faz-me um favor estou perdido
indica-me algo fundamental


Acho
que o que gosto em mim
o que me motiva
é uma preguiça transcendental

E em ti
o que me torna afim
o que me cativa
é esse sorriso vertical
como uma impressão digital


Sinto-me uma fotocópia prefiro o original
Edição revista e aumentada cordão umbilical
Exclusivo a morder a página em papel jornal

Faz-me impressão o trabalho a inércia faz-me mal...

GNR, Impressões Digitais

Thursday, January 12, 2006

Thank you

It was a miracle I even got outta Longwood alive,
This town full of men with big mouths and no guts,
I mean, if you can just picture it,
The whole third floor of the hotel gutted by the blast,
And the street below showered in shards of broken glass,
And all the drunks pourin' outta the dance halls,
Starin' up at the smoke and the flames,
And the blind pencil seller wavin' his stick,
Shoutin' for his dog that lay dead on the side of the road,
And me, if you can believe this, at the wheel of the car
Closin my eyes and actually prayin',
Not to God above, but to you, sayin',

Help me girl, help me girl
I'll love you till the end of the world
With your eyes black as coal and your long dark curls

Some things we plan, we sit and we invent and we plot and cook up,
Others are works of inspiration, of poetry,
And it was this genius hand that pushed me up the hotel stairs
To say my last goodbye,
To her hair white as snow, and her pale blue eyes,
Sayin "I gotta go, I gotta go, the bomb and the bread basket
Are ready to blow,"
In this town of men with big mouths and no guts,
The pencil seller's dog spooked by the explosion
And leapin' under my wheels as I careered outta Longwood on my way to you,
Waitin in your dress, in your dress of blue

I said thank you girl, thank you girl
I'll love you till the end of the world
With your eyes black as coal and your long dark curls

And with the horses prancin' through the fields,
With my knife in my jeans and the rain on the shield,
I sang a song for the glory of the beauty of you,
Waitin for me in your dress of blue

Thank you girl, thank you girl
I'll love you till the end of the world
With your eyes black as coal and your long dark curls


Nick Cave, I'll Love You 'Till The End of The World

Sunday, January 08, 2006

É apenas software...

Aviso: Ler com um sorriso nos lábios e na alma!
O Autor é desconhecido, mas desconfio que seja brasileiro.
Ah, se fosse assim tão fácil…

Técnico: Bom dia! Diga por favor…
Cliente: Bem, depois de muitas considerações, decidi instalar o programa “Amor”. Pode Ajudar-me?
Técnico: Sim, posso ajudar. Está pronto para começar?
Cliente: Bem, não percebo muito de informática, mas acho que estou pronto. Qual é o primeiro passo?
Técnico: Primeiro, tem de abrir “Seu Coração”. Conseguiu localizar “Seu Coração”?
Cliente: Sim, mas tenho outros programas a correr neste momento. Pode-se instalar o “Amor” com outros programas abertos?
Técnico: Quais são os programas abertos?
Cliente: Hummm… Deixe-me ver… Tenho o “Passado Sofrido”, “Baixa Auto-estima”, “Rancor” e o “Ressentimento” a correr…
Técnico: Não há problemas. O “Amor” é capaz de eliminar gradualmente o “Passado Sofrido” do seu sistema operativo. Pode permanecer na memória permanente, mas não vai interferir com os outros programas. Depois, o “Amor” pode, eventualmente, apagar a “Baixa Auto-estima” com uma aplicação específica chamada “Auto-estima Alta”. Porém, você terá de desligar completamente o “Rancor” e o “Ressentimento”. Estes programas não permitem instalar o “Amor” em condições. Pode desligá-los?
Cliente: Eu não sei como desligá-los. Pode explicar-me?
Técnico: Claro. Vá a “Iniciar” e execute “Perdão”. Repita-o até “Rancor” e “Ressentimento” estarem completamente desinstalados.
Cliente: Ok! Está feito! Oh! O “Amor” começou a auto-instalar-se. É normal?
Técnico: Sim, mas convém recordar que é só o programa base. Vai precisar de se ligar a outros “Corações” para conseguir actualizações do programa.
Cliente: Oh! Apareceu uma mensagem de erro. Diz: “Erro – programa não corre em componentes externos.” Que devo fazer?
Técnico: Não se preocupe… Significa que o programa “Amor” está preparado para abrir só em “Corações Íntimos” mas ainda não correu no seu “Coração”. Em termos não técnicos quer dizer simplesmente que tem que se amar a si mesmo antes de poder amar os outros.
Cliente: Ah! Que devo fazer?
Técnico: Abra “Auto-aceitação”. Agora clique nos ficheiros seguintes: “Auto-Perdão”, “Descubra o seu valor” e “Reconheça as suas Limitações”.
Cliente: Ok! Já cliquei.
Técnico: Agora copie-os para a directoria “Meu Coração”. O sistema anula os ficheiros em conflito e começa a reparar a área fragmentada. Tem também de anular “Auto-crítica Palavrosa” de todos os directórios e esvaziar a “Reciclagem”, para se assegurar que desapareceu de vez e que nunca mais regressa.
Cliente: Compreendi! Ah! O “Meu Coração” está a encher-se com novos ficheiros! O “Sorriso” está a piscar no meu monitor e “Paz” e “Contentamento” estão a autocopiar-se para o “Meu Coração” É normal?
Técnico: Ás vezes. Noutras ocasiões demora mais, mas a seu tempo todos o experimentam. Já está! O “Amor” instalou-se e já está a funcionar! Espere, antes de desligar… “Amor” é freeware, um programa livre. Assegure-se que o partilha e aos seus vários módulos com quem se encontrar. Eles vão partilhá-lo também e você recebe alguns módulos muito cool.
Cliente: Obrigado!

Saturday, January 07, 2006

A Song of Two Humans

Esta frase abre um filme. Não é a cores, não é falado, não é de acção, não tem efeitos especiais. É apenas (?) sobre o amor. O amor puro, sincero e genuino como o amor deve ser. O amor que perdoa antes mesmo de haver mágoa. O amor que não julga, não censura e que não desiste. O verdadeiro amor.


This song of the Man and his Wife is of no place and every place;
you might hear it anywhere at any time.
For wherever the sun rises and sets in the city's turmoil or under the open sky on the farm,
life is much the same,
sometimes bitter, sometimes sweet.

in Sunrise - A Song of Two Humans, 1927

Tuesday, January 03, 2006

R.I.P.

A morte embaraça-me. Tento encará-la como algo que faz parte da vida. Mas não tenho conseguido. Há pessoas prá aí que se gabam de tratar a morte como uma coisa normalissima, quase corriqueira, ou que estão mais que preparadas "para quando esse momento vier" dizem elas. É apenas um disfarce. E há disfarces piores e outro melhores. O disfarce mais comum e mais fácil é sempre que alguém morre, encontrar uma qualquer razão que justifique porque foi o outro a morrer e não eu. Se morreu por estar (o por é muito importante) em Beirute, não há problema porque eu estou em Carcavelinhos de Baixo, e portanto, não estou sujeito às condições a que o pobre homem estava. Se morreu por conduzir embriagado, não há problema, porque eu só bebo Água das Pedras (pub) à refeição e portanto, não corro esse risco. Se morreu num estádio com uma facada depois de uma discussão absurda com outro sujeito sobre se seria ou não penalty, também não há problema, porque eu nem sequer vou ao estádio ver futebol e nem tão pouco sei manejar armas brancas (nome tão pacífico para um instrumento tão violento!)
O disfarce vai conseguindo enganar-nos. Até chegar um dia em que morre alguém que simplesmente e à falta de melhor justificação, não merecia morrer e então não conseguimos arranjar nenhuma explicação para que tivesse sido o outro sujeito a morrer e não nós. E a seguir pensamos o que nenhum ser humano gosta de pensar: "podia ser eu..."

Dei por mim a pensar nisto (sim! eu também utilizo este disfarce!) quando soube da morte de um antigo campeão de Rallys, com 34 anos, com um tumor cerebral.
Fiquei duplamente triste. Como entusiasta de corridas de carros, desde sempre me havia habituado a ver o nome Richard Burns. É claro que todos os dias morrem pessoas com a mesma idade e com a mesma doença. Mas este fazia parte daquelas pessoas que não estamos à espera que morram... pelo menos tão cedo... e de uma causa tão injusta. Fiquei também triste pela indiferença com que a comunicação social tratou (ignorou?) esta questão, a contrastar com a altura em que foi campeão Mundial de Rallys em 2001 (sim! há apenas cinco anos!). Mundo cruel e com a memória curta!

O meu disfarce tem uma brecha...
Alguém consegue arranjar-me uma desculpa para esta morte?

Can I fix myself?

When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need
When you feel so tired but you can't sleep
Stuck in reverse

And the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone but it goes to waste
Could it be worse?


Coldplay, in Fix You

Monday, January 02, 2006

Bonita

Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia
do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde à tardinha desemboco
tão cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia até ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
não mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher,
Bonita.

Sérgio Godinho, Espalhem a Notícia

Sunday, January 01, 2006

Happy 2006